Por que as mulheres são o maior alvo da lógica de consumo? Como fugir disso e economizar?

 

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Tenho certeza que todas já viram pelo menos um Tedx Talks que aborda o assunto de algum ângulo, mas vamos tentar ver mais de perto. Por que as pesquisas apontam que as mulheres compram mais e gastam mais? As mulheres têm levado a fama de serem mais consumistas por muito tempo.

Por que tudo pra elas é mais caro? E por que grandes braços da indústria nascem e crescem tendo as mulheres como principal público-alvo?

As decisoras da compra!

A resposta para o fato de elas gastarem mais, é fácil de ser respondida, principalmente no Brasil, onde elas ainda são as grandes responsáveis por fazer as compras de casa, desde de o supermercado até as roupas e calçados para toda a família.

A decisão de compra está na mão delas, que são forçadas a se responsabilizar pelo cuidado com todos. Então é claro que elas estão comprando, se não fizerem, quem vai fazer? Não significa que estão gastando sempre do próprio salário, pois muitas vezes administram as finanças do marido.

E por isso a publicidade estuda as mulheres na hora de lançar qualquer produto que se relacione com casa e família, mesmo esses que levam uma imagem da família inteira interagindo, crianças e até homens, o marketing foi pensado na mulher, na mãe, na dona de casa como decisora da compra.

Tudo pra elas é mais caro!

Quanto ao fato de tudo para elas ser mais caro, é um pouco mais complicado.

Há um tempo atrás o Departament of Consumer Affairs (DCA) fez um estudo e descobriu que, além de as mulheres receber em média 24% menos que os homens, elas ainda pagam mais caro para adquirir os mesmos produtos que eles.

A pesquisa comparou cerca de 800 produtos de 90 marcas diferentes, vendidos em lojas, farmácias e supermercados. Todos com diferenças de cor, embalagem e público alvo. E o preço, claro!

Um jornal britânico repetiu a pesquisa e comprovou o resultado. As mulheres pagam em média 7% a 13% a mais que os homens pelos produtos. Os produtos de cuidados pessoais são os mais caros para elas. Coisas de crianças seguem a mesma lógica, as de menina são mais caras que as de menino.

Quando questionadas, as lojas e indústrias, alegam que não fazem de propósito, que são erros de logística, custo de fabricação, blá blá blá. Mas nada que explique seriamente porque um shampoo hidratante masculino é mais caro que um shampoo hidratante feminino e assim por diante.

Aqui no Brasil o Procon autoriza abertamente a diferença de preços sem maiores questionamentos.

E por que as mulheres são o principal público-alvo de tantos braços da indústria atual?

Em se tratando de imobiliárias, de apartamentos familiares, casas ou condomínios. A publicidade tende a tratar a mulher, mãe de família como a decisora final da compra, a que bate o martelo. Pressupõe-se que ela é quem sabe o que é melhor para a família.

Quanto ao mercado alimentício e de produtos de higiene e limpeza, a mesma lógica se aplica.

Quanto a indústria da beleza, em toda a sua expansão e diversidade, trabalha em torno do interesse e da suposta obrigação que a mulher tem de ser bonita, de estar maquiada, de arrumar o cabelo, de se depilar, de fazer as unhas semanalmente, de tratar da pele, emagrecer e muitas etcs.

A indústria da beleza se inventa e reinventa todos os dias, há produtos para cada parte do corpo da mulher e surgindo novos todos os dias. Produtos com as mesmas funções em novas embalagens e mudanças mínimas na fórmula que prometem um resultado inédito. E elas acreditam? Aparentemente, a maioria sim.

Já escutei relatos de mulheres, que apesar de ganharem muito, dizem que gastam cerca de 30% do salário no salão. E uma outra disse que outros 10% ia para roupas, compras mensais de roupas e calçados.

E quais são esses braços da indústria? Será que existe uma forma melhor de nos relacionarmos com eles para economizar?

Salão de beleza

Parece que esse é o maior dos buracos negros. Os grandes salões femininos estão em toda parte. São lugares aconchegantes, climatizados, sempre com agenda cheia e fila de espera, você tem hora pra chegar, mas não pra sair.

Você marca horário pra um serviço, mas quando chega lá, descobre que precisa de pelo menos mais dois. E no fim das contas é assustador que alguém precise de tantos serviços pra se sentir bonita.

Acho que é importante refletir sobre o assunto, do que você realmente precisa? Quais dos serviços que você precisa, você conseguiria fazer sozinha? O importante é que você atenda a sua demanda, individual e não a demanda social, criada ou inventada pela indústria, para continuar vendendo.

Por que afinal, se esse discurso em círculo consegue te convencer de que seu cabelo não está bom, de que é inconcebível não fazer as unhas toda semana, de que é preciso depilar a cada 15 dias, então você realmente irá gastar muito do seu dinheiro nisso.

Roupas, sapatos e acessórios

Acho que esses, cabe a cada uma decidir o quanto precisa, mas o importante é não cair na armadilha das Fast-Fashion. Hoje temos pelo menos 4 grandes Fast-Fashion atuantes no Brasil, contando com a recente chegada da Forever 21. Elas vendem roupas produzidas de forma massiva, com quase 50 coleções ao ano.

O design e a fabricação do Fast-Fashion é pensado para garantir um retorno rápido do cliente. Diferentes e atrativos, baixa qualidade de tecido e de manufaturamento. Se você compra uma blusa, logo eles lançam outra que dizem ser essencial no seu guarda-roupa. Oferecem um barato que sai caro, já que a roupa não vai durar tanto quanto deveria.

Temos também grandes feira e polos de roupas, que vendem muito barato e seguem a mesma lógica de fabricação das Fast-Fashion. Aqui na minha cidade, uma costureira que trabalha para grandes feirantes ganha em média 50 centavos por peça que costura.

Então sem falar de marcas e entrar em maiores detalhes, tente seguir alguns passos quando for comprar roupa:

  1. Prefira marcas Slow-Fashion, elas geralmente são pequenas, lançam uma coleção ao ano, prezam pela qualidade da roupa, o design, a escolha do tecido e pelo meio ambiente.
  2. Olhe a etiqueta da roupa e veja onde a peça foi fabricada, se estiver dizendo China, Camboja, Bangladesh… Já sabe!
  3. Experimente o Armário Cápsula, pelo menos tente! Se decidir que realmente não é pra você, pelo menos analise a quantidade de roupa que você tem e tente multiplicar seu guarda-roupa criando novas combinações, para evitar comprar mais roupas.
  4. Se você já segue o estilo de vida minimalista, tente levar isso para o seu guarda-roupa, isso irá te ajudar a economizar bastante. A moda minimalista é versátil e monocromática, o que é uma ótima forma de multiplicar o guarda-roupa e montar combinações.

Cosméticos

Aqui no meu estado, há uma loja de cosméticos enorme, ela tem 10 filiais somente na capital, ainda tem em Brasília e no interior. Ela é um pouco mais cara que outras lojas menores, farmácias e supermercados. Mas se existe uma marca de cosméticos, brasileira ou internacional que tenha algum acordo de venda com o Brasil, eles vendem.

Você pode encontrar qualquer cosmético que quiser lá dentro. Todas as lojas são enormes e as vendedoras recebem o melhor treinamento existente para vendas! Você entra pra comprar um produto e sai com três.

A conversa vai mais ou menos assim: ”Você vai levar só o Shampoo? É que tem um condicionador aqui que é a dupla perfeita com esse Shampoo, você nunca viu nada igual e tem uma cápsula hidratante também… se combinar os três faz milagres!”

Os blogs e canais no Youtube que mais cresceram nos últimos anos aqui no Brasil tem como tema: beleza, maquiagem e cosméticos. Perdendo apenas para os canais de comédia!

O maior público-alvo das blogueiras são meninas entre 15 e 25 anos, que estão buscando ideias e soluções para melhorar a aparência. Como as blogueiras ganham dinheiro ou presentes das marcas, para falar dos produtos, elas falam de muitos deles e isso acaba gerando muita influência na decisão de compra das mulheres jovens.

Elas compram muitos produtos, que acabam não usando, até por falta de tempo para os rituais de beleza e antes que esses produtos acabem, já estão comprando outros, que são lançamentos.

Então meu conselho seria:

  1. Se você gosta realmente de seguir blogueiras, tente buscar algumas que façam um consumo mais consciente.
  2. Se encontrou um produto que te agrada, fidelize e não troque por outro só porque é lançamento.
  3. Minimalize. Se você tem três produtos para o rosto, repare bem, talvez só um faça o serviço todo. O mesmo se aplica a produtos para o cabelo e o corpo.
  4. Se for entrar em uma loja grande de cosméticos, tome a decisão de compra antes e seja firme com as vendedoras.
  5. Pense no que está influenciando sua decisão de compra e tente decidir baseado na suas necessidades, não no que a publicidade diz que você precisa.

Remédios

Os Emagrecedores hoje são um ramo que cresce a cada dia e tem as mulheres como principal público-alvo. Na pressa para atingir um peso ideal, elas acabam comprando emagrecedores e muitas vezes, prejudicando a saúde.

Eles vendem muito, pelo principal motivo que os efeitos não são duradouros, logo logo a pessoa volta a engordar e precisa do remédio de novo. Aliás, não só os remédios emagrecedores, mas todos os produtos relacionados ao emagrecimento, como cursos, desafios, coaching e livros digitais.

Recentemente saiu a notícia de que Jennifer Aniston estava usando Cactínea para emagrecer, então esse produto virou febre, tanto na manipulação quanto na venda industrializada.

Há também uma grande variedade de produtos para cólicas menstruais e ginecológicos em gerais, que muitas das vezes não trazem o efeito prometido ou são simplesmente desnecessários.

Mas o mais certo seria não se deixar levar pelo modismo, ou o display das farmácias na hora de comprar e conversar sempre com um profissional que te indique o melhor caminho.

Estética

Recentemente o i-D fez um quadro sobre o vício em Beleza no Brasil, você pode ver o Vídeo. O legal do quadro é que teve um certo foco na parte de cirurgia estética. Entrevistando meninas muito jovens que já fazem cirurgia estética e muitas vezes conseguem pacotes em que pagam por um procedimento e ganham um grande desconto em outro.

O i-D buscou descobrir qual era o ideal e quais as soluções que essas mulheres esperam trazer através da cirurgia plástica. Mas o ideal seria a Gisele Bündchen ou Alessandra Ambrosio que levam uma representação do Brasil lá fora ou o padrão Europeu e todos, são bem difíceis para a maioria das mulheres do brasileiras atingirem, mas são excelentes para o mercado da cirurgia estética.

O que podemos pensar nesse caso é qual é a solução que essa beleza pode trazer. O que ela resolve? Quais são as vantagens? E respondendo a essas perguntas, talvez se possa chegar a um entendimento. Porque o mais difícil dessa questão é que existem meninas muito jovem fazendo o procedimentos e há muitas que não tem condições financeiras de fazer e acabam fazendo muitos sacrifícios para conseguir pagar um cirurgia.

 

O fato é que, se as mulheres têm maior poder de compra, elas têm também maior poder de gerar mudanças. No Tedx Talks de 2015, ministrado por Diane Ridgway-Cross – você pode assistir e saber que ela é, no vídeo – ela deixa claro, que as mulheres são responsáveis por 75% das compras feitas em todo mundo.

Além disso, as mulheres estão 3x mais propensas a pensar sobre a ética de uma marca antes de fazer uma compra!

Então creio que sim, as mulheres podem mudar a forma que consomem e influenciar esse pensamento em outros!

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3 comentarios sobre “Por que as mulheres são o maior alvo da lógica de consumo? Como fugir disso e economizar?

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  1. Muito bom e importante seu post! A conscientização é o primeiro passo para começarmos a mudar essa triste realidade. O minimalismo é tão bom por isso, está conseguindo fazer as pessoas mudarem a forma de olhar. Eu me sinto muito triste vendo mulheres nessa eterna busca pela perfeição e consumindo exageradamente. Estou caminhando lentamente em me livrar dos cosméticos, quero em um futuro próximo produzir a maior parte do que eu preciso (que é pouco) e deixar de comprar principalmente por que grande parte desses produtos possuem ingredientes muito prejudiciais para saúde.

    minimizandoblog.wordpress.com

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